contador free

domingo, 7 de junho de 2015

O Brasil exportando o Brasil 


Precisamos recolocar o Brasil na rota das exportações de produtos industriais semi-acabados e acabados.  Para tal, o Brasil terá que que investir em logística de modo que os seus produtos de exportação preço competitivo para a exportação.

Um fato curioso de repetição constante e, pela maioria dos meios de comunicação, é o fato de quando o assunto é Indústria Nacional, os entrevistados são os dirigentes da Fiesp, Federação Industrial do Estado de São Paulo e não da CNI, que é a Confederação Nacional da Indústria.  Por que isto ocorre?  Já quando o assunto é agricultura os entrevistados são os dirigentes da CNA, Confederação Nacional da Agricultura, que é o correto.

As reclamações dos dirigentes paulistas se referem sempre a um tal sucateamento de suas indústrias, da falta de crédito, salários elevados, dentre outras.  O que realmente ocorre hoje é que São Paulo junto com o seu Porto de Santos estão localizados fora do eixo de localização da maioria maciça do PIB mundial.   Logo, os navios gigantescos de conteineres não virão ao Porto de Santos carregando mercadorias da Ásia ou da Europa para movimentar conteineres em Santos.  Atualmente 90% do PIB do mundo é produzido em países localizados no hemisfério norte e é para próximo desta região que deveremos convergir nossa logística de exportação.

A região do Brasil mais próxima do hemisfério norte, compreende o trecho entre o Porto de Belém (PA) até o Porto de Natal (RN).  Construir um porto hub (concentrador de grandes navios de longo curso) num dos portos existentes nesta região é a única saída para competirmos com a Ásia.  Observando-se que a Ferrovia Norte Sul tem traçado concluído desde Anápolis (GO) até o Porto do Itaqui (MA), é sensato concluir que um porto hub terá que ser construído na região do Itaqui. 

Os maiores navios de conteineres do mundo apresentam custo unitário menor no transporte de cada conteiner.  Eles são capazes de transportar dentre 12.000 e 18.000 conteineres e, em sua maioria, fazem atualmente o trajeto entre os dois maiores portos do mundo: Cingapura na Ásia e Rotterdam na Europa, via Mar Mediterrâneo atravessando o Canal de Suez e o Golfo Pérsico.  O Golfo Pérsico é uma região historicamente cheia de conflitos entre países como a Guerra do Golfo em 1991, bem como possui um  tráfego intenso de petroleiros.  Na saída do Golfo Pérsico, temos uma região também de intensa pirataria, no mar da Somália.  Tudo isto de traduz em valores elevados de seguros, tanto dos navios quanto das cargas transportadas.nos seus conteineres.

Mas, uma obra em curso, ou seja, a ampliação do Canal do Panamá, prevista para ser inaugurada em abril de 2016, mudará o trajeto destas áreas conturbadas, ou seja, os navios desatracarão do Porto de Cingapura, irão cruzar o Oceano Pacífico, atravessarão o Canal do Panamá, e já no Oceano Atlântico Norte, se deslocarão até o Porto de Rotterdam e vice-versa.  A ampliação do Canal do Panamá permitirá a travessia de navios porta conteineres de até 14.000 teus.
O Brasil precisa de tirar proveito desta nova rota, investindo num Porto hub com 4 porteiners no mínimo, a fim de receber, inicialmente, ao menos um destes gigantescos navios para exportar seus produtos industriais, os quais após produzidos no Sul e no Sudeste do Brasil principalmente, serão transportados por ferrovia ou por navegação feeder, que consiste no transporte marítimo de produtos a embarcados em portos menores e transportados até o porto hub.  Este tipo de navegação só pode ser realizadas por empresas brasileiras de navegação de cabotagem.  Atualmente, existem apenas 3 empresas, em pleno funcionamento, que percorrem todos os portos brasileiros desde Manaus até o porto do Rio Grande, fazendo cabotagem.  São elas: Aliança Navegação, Log-in Logística Intermodal S.A. bem como a Mercosul Line.  Precisamos aumentar a quantidade de empresas de cabotagem para que o frete seja competitivo.  Cabotagem é o transporte marítimo de cargas de quaisquer, realizado apenas entre os portos de um mesmo país.  O nome cabotagem é uma homenagem ano navegador Italiano Sebastião Caboto, que foi o introdutor desta forma de navegação no munido.

É claro que boa parte destas indústrias situadas no Sudeste e Sul do Brasil, com o passar do tempo, montarão filiais no Nordeste para lá industrializarem seus produtos a serem exportados devido não só a redução do preço do frete bem como redução nos custos de produção como terreno, energia, mão-de-obra, a presença de Institutos Federais por todo o interior do Brasil, que é vital para a formação de técnicos industriais é outro atrativo importantíssimo para se instalar indústrias fora das regiões tradicionais no Brasil.  É importante frisar que tanto a Ferrovia Norte Sul e as empresas de cabotagem já estão em pleno funcionamento, restando ao Brasil investir, urgentemente num porto hub, que é fundamental para aumentar drasticamente a competitividade do Brasil no exterior.

Caso não acordarmos para esta atual realidade, reservaremos as regiões Sudeste e Sul, uma recordação na história de um país que um dia teve uma pujança industrial.  É importante ressaltar que só temos uma indústria no Brasil que não precisa de porto para realizar suas exportações.  Trata-se da Embraer S.A., localizada em São Paulo, embora ela necessite de portos para realizar a importação de componentes para os seus aviões.  Todo o restante  do parque industrial brasileiro necessita de porto para realizar suas exportações.    

Nenhum comentário:

Postar um comentário