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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Inovação, pesquisa e desenvolvimento no Brasil! O que melhorar?

  Investir em pesquisa e desenvolvimento são quesitos necessários numa empresa para inovação de produtos e serviços.  Baseados neste foco pode-se tanto criar um novo produto quanto criar versões de um produto já existente visando, por exemplo, um público diferente.  
  O Brasil possui hoje alguns casos em que a inovação, com muita pesquisa e desenvolvimento (mais conhecido como P&D) deram resultados fantásticos, resultando em vendas no mundo inteiro: a Embraer e a Havaianas, por exemplo.  Uma fabricante de aviões e a outra fabricantes de sandálias de borracha.  Um outro caso resultou na diversificação de versões de um produto e o sucesso de vendas no Mercosul, que é um caso de um utilitário fabricado pela Agrale.

Indústria aeronáutica Embraer

  A Embraer - originalmente Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A., hoje Embraer S.A., foi criada em 19 agosto de 1969 para fabricar o EMB110 Bandeirante,  É uma indústria com 45 anos de existência, completados no último dia 19 de agosto de 2014.  A foto abaixo mostra o maior avião que a Embraer fabricou enquanto estatal.  Trata-se do EMB120 Brasília, um bimotor turbohélice com capacidade para 30 passageiros.


www.centrohistoricoembraer.com.br


  No ano de 1994 foi privatizada, possuía 4500 funcionários, felizmente não deixou de ser brasileira, já que o consórcio que a adquiriu, possuia, em sua maioria, acionistas brasileiros.
  Mas o respeito que o mundo tem por esta nossa indústria está também ligado a um modelo considerado um dos maiores treinadores de pilotos da aviação militar.  É o EMB312 Tucano, presente na foto a seguir.  
www.embraer.com.br

  
  A Embraer está hoje posicionada como a terceira maior fabricante de aviões do mundo.
  E os céticos perguntam? Só existem 3 fabricantes de aviões no mundo? A resposta é um sonoro não.  A quarta colocada é a canadense Bombardier.  Temos ainda a russa Tupolev, a sueca Saab, a nipônica Mitsubishi, dentre outras.  A primeira colocada é a norte-americana Boeing e a segunda a europeia Airbus.
  A inovação da indústria em enveredar no mercados de aviões a jato, até então não explorados por ela, pois só fabricava turbohélices.  A pesquisa de mercados e produtos, no pós-privatização, resultaram na descoberta de nichos de mercado, fizeram com que se transformasse em sucesso de vendas a fabricação de modelos de aviões regionais a jato lançados.  O desenvolvimento dos produtos junto com os parceiros fornecedores de componentes, como: trens de pouso, painel de comandos, turbinas, operadores de linhas aéreas, dentre outros, ajudaram na operacionalidade, conforto, segurança, economia de combustível, dentre outros itens, dos modelos lançados.  Um dos nichos descobertos tinham capacidade entre 37 a 50 passageiros.  Foram então lançados o ERJ135, ERJ140 e ERJ145.  A partir destes modelos foram criadas diversas versões executivas denominadas de Legacy. 

  Na foto abaixo temos um ERJ145 nas cores da Alitalia.


www.modelutions.de


  O outro nicho foi o de variação de 70 a 110 passageiros.  Sucesso também com a família de modelos EMBRAER 170, EMBRAER175, EMBRAER190 e EMBRAER 195.  Estes modelos já foram comprados por clientes de mais de 30 países.  O EMBRAER195 tem versão para 118 passageiros.
  Uma versão executiva derivada do EMBRAER190, rebatizada de Lineage 1000 foi bem recebida pelos clientes e é largamente vendida.  
  Segundo o seu último balanço, datado de 30 de junho de 2014, o seu quadro totalizava 19.116 funcionários.    
  
  Na foto abaixo, um EMBRAER195 nas cores da companhia aérea alemã Lufthansa.

www.planespotters.net




As 2 fotos seguintes mostram uma visão geral do Lineage 1000 e uma das versões do seu interior. 


www.airliners.net


http://www.l-lint.com


 Muitos brasileiros ainda desconhecem a Embraer.  Uma das razões é que cerca de 10% de seu faturamento anual, ou seja, de tudo que a Embraer leva o ano inteiro para vender, cerca de 10% são vendidos à empresas brasileiras.  Os restantes 90% são exportados.  Muitos dizem também: avião é tudo igual, desde o nariz frontal, as 2 asas, 2 ou 4 turbinas e com o corpo cheio de janelas.  Outros dizem: pensei que eram todos Boeing, que ainda é a marca conhecida no Brasil.  E, por último, alguns brasileiros só reconhecem a Embraer quando há um acidente com um avião Bandeirante.  Aí é batata, ou seja, ninguém erra.

Há quem ainda a confunda com a estatal Infraero.  Temos uma semelhança entre ambas, Embraer e Infraero, possuem mesma área de atuação: avião.

  Mas já está na hora de nós brasileiros descolarmos desta realidade, pois todos os aviões a jato, ou com turbinas, que as companhias aéreas brasileiras Azul e Trip possuem são da Embraer.  Mas o sucesso de seus novos produtos conquistaram os clientes mais exigentes do mundo como a alemã Lufthansa, a suíça Swiss, a italiana Alitália, a canadense Air Canada, as americanas American Airlines e Continental Airlines, dentre tantas outras operadoras de linhas aéreas mundo afora.

  O próximo projeto inovador no mundo será o concorrente do avião norte americano Hércules C-130, até então único em seu segmento.  Um quadrimotor para transporte de veículos e tropas.
  A foto abaixo mostra um Hércules C-130 em pleno vôo.


www.avsim.com


  A brasileira Embraer projeta o KC-390, o qual já acumula uma lista de países interessados em substituir seus norte-americanos Hércules C-130.  Trata-se de um avião de 2 turbinas, que pode pousar e decolar em pistas mais curtas que as do C-130.  Será criado para transportar veículos e tropas bem como fazer o reabastecimento de outras aeronaves em pleno vôo.
  A imagem abaixo é um desenho virtual, uma vez que o primeiro vôo está previsto para o ano de 2015.

www.aereo.jor.br


Sandálias Havaianas


  A inovação que a empresa São Paulo Alpargatas, que é dona das fábricas da Havaianas, produziu foi basicamente decorar melhor os seu produtos e via esta identificação de praia, sol e férias que os brasileiros já são conhecidos no exterior, colocar nos desfiles de modas nos pés da modelo também brasileira Gisele Bündchen e de Naomi Campbell um par de sandálias Havaianas.  O mundo inteiro comprou a ideia e um dos resultados obtidos foi que um par de sandálias de borracha que custaria no Brasil a preços deste ano de 2014, R$ 5,00 vale hoje R$ 40,00, após ter inovado o produto com pesquisa e desenvolvimento.  Ou seja, 8 vezes mais.  Sem contar que o volume de produção aumentou pois a empresa passou a atender quase o mundo todo com inúmeros pares de sandálias com cores e detalhes diferentes.  Ou seja, aconteceu tudo de bom que qualquer empresa deseja: aumento do preço de venda e da quantidade vendida. 
  A foto abaixo mostra o modelo único vendido antes da pesquisa e desenvolvimento, nas cores azul, preta e verde, basicamente.    
www.calcados.com


O que temos de comum em ambas é que possuem produtos de alto valor agregado, que precisou e precisa de investimentos constantes em pesquisa de novos mercados e produtos, tecnologia, ou seja, cérebros, capazes de continuarem inovando.  Produtos de alto valor agregados são aqueles que já saem da fábrica pronto para o uso, sem necessitar de nenhuma etapa de industrialização.  Produtos que levam em suas etiquetas a seguinte expressão: Made in Brasil.  Ou fabricado no Brasil.  O que não acontece em cada caroço de soja, café ou grão de minério de ferro, por exemplo, que são itens de exportação de baixíssimo valor agregado.
  Na foto abaixo uma amostra de alguns modelos atualmente vendidos.  


www.mundodasdicas.com

O que prova a todos nós brasileiros é que investindo em pesquisa e desenvolvimento o resultado aparece.  As indústrias brasileiras precisam acreditar mais nos seus produtos, visualizar o público alvo e pronto.


Utilitários Agrale Marruá

  Outro exemplo é do veículo utilitário Agrale Marruá, sobrevivente do Engesa 4, um utilitário fabricado pela indústria bélica Engesa - Engenheiros Especializados S.A., fabricante dos blindados Urutu e Cascavel.  A Engesa teve sua falência decretada com o fim da guerra fria ente os EUA e Rússia, na época União Soviética, pois não tinha mais uma venda contínua dos seus blindados.
  O Engesa 4, foi um utilitário criado para ser também vendido na versão civil.  Fabricado com carroceria em aço, possuía tração integral, ou seja, nas 4 rodas e um motor a gasolina do Opala de 4 cilindros.  Com a falência da Engesa um grupo de ex-funcionários recebeu como parte da indenização o projeto do Engesa 4.
  Abaixo a ficha técnica do Engesa 4. 


caminhaoantigobrasil.com.br


  Eles venderam o projeto para a Agrale, que também comprou o ferramental, rebatizou o utilitário de Agrale Marruá, tipo de touro forte encontrado no pantanal, atualizou com um motor MWM a diesel e fabricou algumas unidades, entregando-as para as nossas Forças Armadas testarem nas condições mais severas.  Após alguns ajustes, no ano de 2007 ele foi homologado para ser viatura das Forças Armadas brasileiras.  Daí as encomendas apareceram às centenas, e o que vemos hoje é uma vasta aplicação dos mesmos nas Forças Armadas, em diversas unidades estaduais do Corpo de Bombeiros e nas unidades da Defesa Civil, da maioria dos estados brasileiros.
  Várias versões foram e estão sendo criadas para as mais diversas aplicações, tanto civil quanto militar.  São fabricados com chapas de aço e somente com tração nas quatro rodas, ou 4x4.

  Na foto abaixo, unidades militares na fábrica prontas para serem entregues.  


Foto: Depto. Marketing da Agrale

 Na foto abaixo algumas de suas versões militares do Agrale Marruá, inclusive o AM 41, o maior de todos, capaz de transportar 2.500 Kg.


www.folhamilitar.com.br


Na foto abaixo um modelo Agrale Marruá AM300CC para Bombeiros com duplo rodado traseiro. 
www.agrale.com.br



Sua venda ao público civil também está liberada, mas a sua linha de montagem tem estado ocupada com unidades militares.

Expedição Agrale Marruá

  Como parte dos testes e divulgação deste "puro sangue brasileiro", o utilitário Agrale Marruá, foi realizada no ano de 2006 a Expedição Agrale Marruá, um verdadeiro teste de campo, onde 10 unidades atravessaram regiões pantanosas, trilhas que não deviam ser chamadas de estradas, dentre outros testes severos.  O trecho se iniciou em Caxias do Sul RS, município sede da Agrale até o Mato Grosso.   O vídeo a seguir mostra a verdadeira aventura, a que foram submetidos os valentes utilitários. 
www.youtube.com

  Várias versões foram criadas e fabricadas pela Agrale dentre elas: cabine simples, cabine simples com carroceria de aço, ambulância, cabine dupla, com rodado duplo traseiro, transporte de trabalhadores na mineração, dentre outras.
  A foto abaixo mostram algumas versões e cores para uso civil.
kombiecia.blogspot.com.br

  O sucesso deste produto se deve também ao fato de de ser o único robusto, despojado de luxo e com tração nas 4 rodas e agora a diesel, depois do vazio deixado pelo Toyota Bandeirante, embora não tenha ainda ocupado o nicho do meio rural. (www.agrale.com.br)

  Esta é uma pequena amostra de exemplos capazes de provar que, quando resolvemos investir em pesquisa e desenvolvimento, os produtos, seus resultados e a inovação aparecem.
  Tais iniciativas são dignas de orgulho de sermos brasileiros e leva a nos conscientizar que nem só da produção e exportação de commodities sobrevive o Brasil, mas também da agregação de valor aos seus produtos, aliados a uma boa dose de marketing.
  
  O que nos torna tímidos em pesquisa e desenvolvimento é o percentual do PIB brasileiro investido anualmente em P&D que ainda gira em torno de 1,3%.  Ao passo que os países de primeiro mundo investem entre 2,5 a 4.3%. (www.exame.com.br)       

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